segunda-feira, 25 de julho de 2011

Estamos de olho!

      Estamos de olho em tudo que se refere à preservação do patrimônio histórico e natural de Pirenópolis, além das ações que podem melhorar a vida do pirenopolino.



O casarão ainda de pé em 2010


Quantas pessoas olharam por esta janela!


     As antigas casas pirenopolinas foram construídas numa época em que não havia, por exemplo, sanitários, ou que para se acessar um cômodo, era preciso transitar por outro. Nos dias atuais, entretanto, as pessoas querem morar em construções altas e arejadas, com mais privacidade e com pelo menos um banheiro social e suítes nos quartos.



O casarão começa a desabar ainda em 2010

O telhado vem ao chão e abala a estrutura de aroeira


     Institui-se, então, uma prática triste entre alguns proprietários de imóveis antigos. Depois de comprar um casarão e constatar a inviabilidade de sua reforma para adequá-lo à modernidade, deixam ruir tudo e depois constroem uma casa nova. Isso é muito mais frequente em Pirenópolis do que se imagina. Veja o caso das casas humildes dos negros em volta da Praça do Rosário, ali onde havia a Igreja do Pretos e hoje tem um coreto feio. Elas desaparecem aos poucos da história de Pirenópolis e dão lugar a modernos bangalôs comerciais. Mas disso falarei em outra postagem.


As paredes internas de pau-a-pique estão condenadas

Visão triste do passado que se apaga

     Hoje quero usar como exemplo um imóvel cujo destino acompanho há um bom tempo neste blog e que batizei de “Tapera da Rua Matutina”. Pois é, essa tapera não existe mais. Caía aos poucos há meses, sem que seu proprietário tomasse providência alguma. Primeiro ruíram as paredes de adobe e pau-a-pique, depois os velhos esteios de aroeira, e por fim ficou lá aquele amontoado de entulhos. Até achei que seu dono não tivesse conhecimento da situação, que residisse distante etc. Mas não é bem isso que aconteceu. Recentemente limparam todo o lote e espetaram lá uma placa de “vende-se”.


O lote limpo é colocado à venda

Apenas sobraram parte do muro de adobe e um esteio de aroeira

Onde antes havia história, agora há um lote vazio

     Quem perde com essa especulação imobiliária é a história de Pirenópolis. Cada casarão que tomba é um pouquinho da cidade que desaparece. Vão ao chão muito mais que adobes e aroeiras, destrói-se o passado dos que ali habitaram, criaram seus filhos, e os filhos dos seus filhos. Uma casa como essa tem pelo menos cem anos e deveria receber o respeito a que tem direito.

      Fica o protesto deste blog Cidade de Pirenópolis e o aviso: ESTAMOS DE OLHO!


Só sobrou o velho esteio de aroeira

Adriano César Curado

13 comentários:

  1. Sendo Pirenópolis uma cidade que tem o conjunto arquitetônico e paisagístico do Centro Histórico tombado, não deveria haver forte fiscalização sobre a conservação dos casarões?

    O Poder Público não estaria sendo omisso diante de ações como essa? Afinal, pelo que vi nas fotos, o prédio não ruiu do dia para a noite, agonizou por um bom tempo e ninguém fez nada.

    Se essa moda pega, vão destruir a cidade toda e bem debaixo das barbas de quem deveria fiscalizar e impedir tamanho vandalismo.

    Parabéns pela postagem. E fique sempre de olho!

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  2. Realmente, é preciso haver ações no sentido de conter essa prática que, ao meu ver, se não é criminosa fere os brios e compromete a memória da cidade.

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  3. Lô, estaria correta a sua colocação, quanto à obrigação de fiscalizar e coibir o que é contra a lei, se morássemos num país sério. Mas o Brasil é o país do faz-de-conta. As pessoas fingem que cumprem as leis e o governo disfarça que fiscaliza. Essa triste realidade está presente em todos os setores da gestão pública – também na particular!

    No caso desse casarão histórico, certamente que algum fiscal, em serviço, passou diversas vezes pela rua Matutina, que fica bem ao lado da igreja Matriz, mas ainda assim não se dispôs a apurar os porquês do abandono. A agonia do prédio se arrastou por meses, até que as chuvas derrubaram os telhados e junto foi a estrutura de madeira.

    Culpado? Que adianta agora? Por que não fizeram algo quando ainda era possível? Fico mais preocupado com o destino do restante do patrimônio da cidade.

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  4. Rubens Guerra de Medeiros25 de julho de 2011 16:17

    Caríssimo Adriano Curado, depois que você postou aqui este texto, fui até a rua Matutina constatar o que falou. Fiquei impressionado com o que vi. Realmente, ainda ontem tinha um casarão colonial ali, eu meu lembro dele, com janelões azuir e um muro grosso de adobe na entrada. Agora só há um lote vago com uma placa de "vende-se". Será que ninguém pode ser responsabilizado por isso?! Cadê as autoridades que deveriam ter fiscalizado a destruição? Cadê o Ministério Público?!

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  5. Rosane Matias Ramos25 de julho de 2011 17:30

    O proprietário de um imóvel histórico tombado tem responsabilidades para cumprir. Se não zela pelo edifício e o deixa acabar, tem que ser responsabilizado civil e criminalmente. Se pegar um para exemplo, os demais ficarão coibidos. Se deixar passar, em breve não teremos mais patrimônio histórico a preservar.

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  6. Caro Escritor Adriano César Curado - Parabéns pela iniciativa e pela coragem de levantar essa questão e te parabenizando também na oportunidade, pelo Dia do Escritor - 25 de julho. Bola prá frente.

    Se depender da atual administração municipal, auxiliada pela conivência de um proprietário domesticado e servil, os esforços de pessoas como voce, em defender o patrimônio cultural da cidade, será literalmente colocado por terra. Vamos à luta, contra a modernidade estúpida...
    E continue de "OLHO"

    Um abraço,

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  7. É difícil essa questão mesmo... Pouco a pouco o que devia ser conservado é reconstruído com outra arquitetura... Triste fim, de lindas marcas que poderiam ainda mais encantar, quando não houvesse mais em outras cidades, mas em fim, nos resta é fotografar, porque daqui algum tempo não mais teremos o grande numero de casarões que temos hoje.

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  8. Marina Rodrigues de Araújo29 de julho de 2011 08:05

    Concordo plenamente com o José Roberto. O melhor mesmo é fotografarmos o mais que pudermos, pois não demora para acabarem os casarões de Pirenópolis. E o mais triste disso tudo é que quem deveria fiscalizar, infelizmente, se omite. Eu conheço dezenas de exemplos de casarões históricos literalmente destruídos em nossa cidade. É só andar pelas ruas e becos para deparar com um deles. Se eu vejo, o poder público também pode ver - se quiser, é claro!

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  9. Penelope Aires Barretos29 de julho de 2011 14:05

    E lá se vai o patrimônio histórico de Pirenópolis, que em breve será apenas cenário, faixada "parecida" com a antiga e interior moderno. Alguém escreveu acima que "somos um país de faz de conta"!

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  10. Elcio Pereira da Silva2 de agosto de 2011 14:49

    Este nosso Brasil...!

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  11. Francielle Lima Guerra2 de agosto de 2011 18:38

    Não tem ninguém que possa impedir que isso continue a acontecer?! Deve ter alguma autoridade pública com poder suficiente para apurar essa conduta! Não é possível que tal fato ocorra em pleno século 21!!!!

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  12. Mariana de Siqueira3 de agosto de 2011 09:17

    Assim como a cidade se uniu em prol dos Mascarados, também pode fundar uma associação para defender o patrimônio material. No caso da salvaguarda do patrimônio imaterial, que é nossa manifestação folclórica, bastou contratar um bom profissional, que logo descobriu falhas processuais e reverteu a situação. Da mesma forma podemos fazer com nossos casarões coloniais. Vamos contratar arquitetos e engenheiros que possam dar um diagnóstico da situação desses sítios. Não dá para ficar à mercê do poder público, sempre omissos, sempre no faz-de-conta, enquanto desabam à nossa volta aquilo que temo o dever de preservar para o futuro.

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  13. Daqui a pouco não vai ter mais nada em Pirenópolis!

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