sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Emílio de Carvalho


SÉRIE BIOGRAFIAS
EMÍLIO DE CARVALHO


      Emílio de Carvalho (Pirenópolis 19.10.1931 – Anápolis 23.03.2009) foi farmacêutico, presidente da Sociedade dos Amigos de Pirenópolis (Soap) e grande defensor da cultura pirenopolina.

      Nasceu de uma tradicional família goiana. Era filho de Emílio de Carvalho (Biu) e de Semíramis Mendonça. Seu pai Biu, grande e próspero comerciante, sofreu um grave acidente ainda jovem, quando um coice de mula em uma trava de porteira atingiu-lhe a cabeça e comprometeu sua sanidade mental. Dona Semíramis, que até então só cuidava dos afazeres domésticos, foi obrigada a assumir os negócios da família. Com a morte de Biu, no entanto, aos poucos o patrimônio começou a diminuir, só restando ao final a casa na rua do Rosário, que até hoje pertence à família.


Semíramis e Bio de Carvalho

      Com muito esforço, o jovem Emílio formou-se farmacêutico-bioquímico e exerceu a profissão por mais de 50 anos à frente da Drogaria Gileade Ltda. Seu ponto comercial era em frente à sua casa, num cômodo alugado do irmão Décio de Carvalho. Depois transferiu-se para a própria residência, numa sala ampla na esquina. Por fim, fechou a farmácia e foi trabalhar como funcionário de Aldo de Siqueira (Trindade), na rua Direita.


Emílio de Carvalho com a esposa Maria Lucy


      Casou-se com a corumbaense Maria Lucy, com quem teve Dr. Emílio de Carvalho Júnior, Dra. Sandra, André, Vera Lúcia e Lucieme, todos casados e com sucessão.


Emílio de Carvalho na juventude

      Emílio de Carvalho prestou grandes e relevantes serviços à comunidade pirenopolina, quando fundou, ao lado do também saudoso amigo José Reis, a Soap, entidade que foi um marco na história de nossa cidade, pois movimentou milhões de reais para reforma de prédios públicos, sem que nenhuma mácula respingasse no seu nome. Emílio de Carvalho era o presidente e José Reis o secretário, seu fiel escudeiro. Ambos aproveitaram a popularidade de Pirenópolis junto ao governo federal de Fernando Henrique Cardoso e conseguiram que o próprio Ministro da Cultura viesse entregar as verbas para as restaurações.

Maria Lucy

      E foi assim que a Soap restaurou a igreja Matriz (por suas vezes), o prédio do teatro e a a ponte do Carmo, além de reconstruir as ruínas do Cine-teatro Pireneus e equipá-lo com sofisticados projetores.

      Sempre adoentado e com dores crônicas, lutava Emílio de Carvalho contra um diabetes descontrolado, que lhe abria feridas nas pernas e por fim levou-o a sofrer violento derrame cerebral em 2007. Contrariando expectativas dos próprios médicos, recuperou-se inteiramente da moléstia e voltou a trabalhar. Mas no dia 23.03.2009, outro derrame ceifou-lhe a vida.


Casa de Emílio de Carvalho
      O blogue Cidade de Pirenópolis presta hoje justa homenagem ao Dr. Emílio de Carvalho, pelo pai exemplar que foi, pelo profissional de saúde competente e pela honestidade com que soube receber e aplicar grande soma de dinheiro público. Na prestação de contas da Soap, junto ao Ministério da Cultura, o Dr. Emílio recebeu um ofício de elogios por conta da impecável organização e clareza dos investimentos.
Imóvel da rua do Rosário, sede da farmácia por muitos anos

by Adriano César Curado

17 comentários:

  1. Tive o privilégio da amizade de Milim de Carvalho e de enriquecer meu espírito com suas adoráveis histórias, sua verve, seu constante bom humor. Um vulto inconfundível na vida pirenopolina!

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  2. Adriano Curado,
    “Milinho” era meu Padrinho de Batismo, irmão mais novo de Dolores, minha mãe. E Maria Lucy foi a pessoa mais generosa que conheci. Digo isto do íntimo do meu ser. Eu vivi, com eles, na casa deles, entre os anos 1961 e 1964, em Palmeiras de Goiás, enquanto frequentei o curso ginasial no Ginásio São Sebastião, mantido pela antiga CENEG (Confederação Nacional dos Educandários Gratuitos). Eu freqüentava as aulas à noite, trabalhava durante o dia, e minha personalidade foi sendo fortemente moldada nesta convivência.
    Eles haviam se casado em final de 1958 e por um absoluto desprendimento, para apoiar meus pais na educação dos seus filhos, “me adotaram” no seio do seu lar em construção, um aborrecente com 12 anos recém completados, no momento de maior desafio na formação da sua família – de afirmação conjugal, profissional e social. Não é difícil imaginar a série de problemas que esta convivência iria lhes proporcionar.
    E eles tiraram de letra! Nos conselhos, nos puxões de orelhas ou no silêncio, sempre souberam de maneira soberana evitar constrangimentos e resolver os problemas havidos.
    Quando, hoje, você faz esta manifestação de referência ao Emilio de Carvalho e Maria Lucy, eu me sinto inteiramente gratificado, pois, sem desmerecer a todos os demais, filhos, parentes e amigos, poucos conheceram Milinho e Maria Lucy como eu.
    Se Milinho foi mais referenciado pelas suas ações comunitárias, culturais e sociais, certamente o foi pelo solidário e efetivo apoio de sua Maria Lucy, que tão precocemente nos deixou. Por isto, reverencio também esta mulher de quem certa vez ouvi um comentário muito especial – ela me perguntou: “por que toda vez que se faz alguma coisa que beneficia o pobre se questiona sobre a sua importância?”. Na simplicidade da sua vida de esposa, mãe e professora em que ela sempre foi perfeita, ela sempre teve uma ampla noção de justiça e das necessidades das camadas menos favorecidas e sempre soube separar os certos dos que se dizem certos e dos que tentam parecer certos.
    Adriano, parabéns pela iniciativa de homenagear os grandes pirenopolinos. Da minha parte, agradeço por Milhinho e Maria Lucy, meus segundos pais.

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  3. Caro Adriano César, realmente você traz as mais diversas atividades de pessoas de bem que o nosso Brasil possui.
    Não conheço a fundo a vida deste cidadão o Dr. Emílio de Carvalho, mas pelo que descreveu, vimos que foi um cidadão exemplar. São pessoas assim dessa dignidade que outros cidadãos deveriam seguir a risca, inclusive estes que trabalham com os recursos públicos. Parabéns pela postagem como sempre bem apreciadas.

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  4. Ana Cecília Pinto6 de novembro de 2011 12:16

    Eu ia sempre na farmácia do Trindade e lá encontrava o Dr. Emílio de Carvalho. Ele usava uma bengala mas não precisava dela para andar, era só charme. Sempre brincava com a gente e respondia as consultas do Trindade. Gostei da homenagem, que é boa para os jovens como eu saberem quem foi essa homem bom.

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  5. Sandra de Siqueira Lima6 de novembro de 2011 20:15

    Dr. Emílio eu bem conheci, era um homem íntegro, desses que não se fazem mais e deixou muita saudade.

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  6. Bela homenagem ao "Tio Milinho", grande homem, figura cativante...o sorriso dele era inconfundível...o abraço cheio de ternura e carinho. Grande figura que nos faz muita falta...parabéns pelo belo texto e pela justa homenagem. Wanessa.

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  7. Celson da Luz Amaral Filho7 de novembro de 2011 12:29

    Seu Emilinho era um homem bom, que gostava de todo mundo, homesto e puro de coração. Já faz falta nestes tempos em que não se pode mais confiar em ninguém, em que dinheiro público virou capim de bestas pastarem. Meus parabéns a você, proprietário do blog, que abriu espaço para homenagear tão cativante figura.

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  8. Eu o saúdo, escritor, pela iniciativa de escrever sobre personalidades que contribuíram para melhorar nosso mundo. Esses bons exemplos têm que ser contados, para que sirvam de inspiração e exemplo aos que ainda virão.

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  9. Parabéns por nos tornar conhecidas essas personalidades tão marcantes para a história brasileira.

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  10. O passago tem que ser relembrado sempre, para nunca se apagar e servir de luz para as gerações futuras.

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  11. Merecida e justa essa homenagem ao Dr. Emilinho de Carvalho. Seu blog é muito bom.

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  12. Tenho muita saudade do tio Emílio! Só de falar já me dá vontade de chorar. Sempre o chamei de tio porque assim aprendi com minha mãe, que é prima primeira da tia Maria Lucy. A adolescência da minha mãe foi marcada por diversos passeios a Pirenópolis e ela ficava hospedada na casa do tio Emílio, devido a sua grande amizade com a prima, Maria Lucy.
    Na ocasião dos 15 anos de mamãe, ela foi a Pirenópolis a passeio, pois vovô não poderia proporcionar-lhe um baile de debutante. Tio Emílio a levou a um restaurante e fez o conjunto que lá se apresentava tocar "Parabéns pra você" e uma valsa. Inesquecível para ela.
    Inesquecível também foi quando perdi meu avô, Odir Geraldo de Souza Valle, e ele me perguntou: “Agora que o Didi foi embora, você me aceita como seu avô?”
    Inúmeras vezes, durante a minha adolescência, fiquei hospedada na casa do tio Emílio, onde sempre fui tratada com muito carinho por ele e por todos os seus filhos, por quem alimento forte carinho. Nunca me esqueço de que ele brincava comigo dizendo que eu “chegava de ré” em casa, pra dar impressão de que eu estava saindo cedinho. E no outro dia, quando eu acordava, lá estava ele com uma tulipa de cerveja me esperando pra acompanhá-lo.
    Mesmo quando eu não me hospedava lá, combinávamos de ir ao “Santo Graal”, saudosa chopperia, tomar um choppinho gelado. E foi justamente lá que o tio Emílio me apresentou ao meu marido, minha alma gêmea, Adriano Curado.
    Ele apoiou nosso namoro e sempre cobrava de nós o casamento ou, como ele dizia, “pelo menos o noivado”. Infelizmente, ele já não estava fisicamente presente no dia tão esperado. Mas o fizemos representar pelo seu filho, Andrezinho, que foi nosso padrinho, representando-o muito bem, inclusive se emocionado como seu pai sempre fazia ao nos ver.
    Tenho muita, muita saudade mesmo, do tio Emílio. Inesquecível tio, avô, “parente”, amigo, conselheiro, parceiro, companheiro...
    Saudades...

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  13. Feliz do povo que honra seus antepassados e com eles aprende a sabedoria dos anos sofridos!

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  14. Francielle Karine de Alencar9 de novembro de 2011 12:09

    Era um velhinho sorridente, que tratava a gente muito bem e por isso era querido por todos.

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  15. Delzuita de Almeida21 de novembro de 2011 16:56

    que bonitinha a homenagem ao seu Emilio.. adorava ele cresci comprando remédios p minha vó em sua farmácia ..claro que não gastava Tempo nenhum correndo pelos becos só p gaNHAR ALGUMAS MOEDAS...TEMPO BÃO...

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  16. Queremos agradecer a homenagem tão bonita e sincera em memória do nosso pai, e os comentários de tantos amigos que lembram dele e de nossa Mãe de maneira tão carinhosa. Há pessoas que são mesmo inesquecíveis e que ficam sempre presentes em nossos corações e em nossos pensamentos! Obrigado!

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