sexta-feira, 26 de julho de 2013

Festa da Capela tão simples e bela...!


Pintura de Sérgio Pompeo

Como toda família pirenopolina, a minha também sempre esteve presente na Festa da Capela do Rio do Peixe. A mãe de minha avó Maria, bisavó Adelaide Jayme, acampava lá todos os anos. Na verdade, dona Adelaide era uma devota fervorosa de Senhora Santana e por isso fazia questão de comparecer todos os anos à festança à beira do corgo Caxiri. 


E por ir lá todos os anos, minha bisa fez muitas amizades, foi madrinha de casamentos da roceirada que ia à Capela com suas mulas de carga ou carros de bois. Por final das contas, ela tinha mais de cem afilhados de batismo.

Adelaide Jayme Siqueira

Há inclusive uma história interessante envolvendo dona Adelaide. Contam que ela batizou uma criança, que nunca mais viu. Passado o tempo, eis que bate palmas à porta de sua casa em Pirenópolis, lá na rua Aurora, uma moça feia e desengonçada. Era uma das afilhadas lá da Capela. Conversa vai, conversa vem, dona Adelaida diz:

Minha filha, como sua madrinha nunca lhe deu presente algum, quando você se casar, lhe darei o enxoval completo.

Não precisa, madrinha.

Faço questão. Uma moça bonita e formosa como você merece um enxoval bonito.

Quando a moça se foi, minha tia Inácia, que morava com a mãe, disse:

Que é isso, mãe. Ficou doida? Um enxoval completo fica muito caro.

Não se preocupe, minha filha, essa mulher horrorosa jamais vai encontrar um noivo.


Estava enganada. No ano seguinte, lá na festa da Capela, dona Adelaide se encontra com a afilhada de mãos dadas. Uma interrogação na testa, olhares trocados com Inácia, e eis que vem a bomba:

Bença, madrinha.

Bençoi – respondeu seca.

Esse é o meio noivo, vamos nos casar pro ano que vem. A senhora está lembrada da promessa?

Córrego Caxiri

Dona Adelaide faleceu em 1980, mas minha avó Maria continuou a peregrinação da mãe, de modos que nós, seus netos, íamos todos os anos acampar aos pés de Santana. Eram umas barracas coletivas, de tecido claro que encardia aos poucos naquela poeira vermelha e que não conseguiam conter a ventania gelada da madrugada. 


Naquela época, não havia banheiro na Capela, os banhos eram improvisados e a comida nunca saía na hora certa. Mas ainda assim era maravilhoso acampar ali.


Adriano César Curado

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