segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Mais um ano que termina




Termina mais um ano. Grandes foram os desafios enfrentados por nossa Pirenópolis em 2016 e certamente que no ano que virá não será diferente. Mas esperamos que tudo transcorra da melhor forma possível. Antes de chegar o ano novo, porém, vamos festejar, confraternizar e nos aproximarmos dos amigos e parentes. É época de alegria, de relembrar o nascimento de Jesus, de praticar o perdão e esquecer a mágoa. Afinal, quem pode atirar a primeira pedra...?!

Eu desejo a todos os leitores deste blogue um final de ano repleto de bons acontecimentos e de alegres expectativas no melhor.

Adriano Curado

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Livro fascinante


Desde que comprei o livro “Família Jayme – Genealogia e História”, de autoria do Nilson Jaime, ele não sai da cabeceira da cama, e quando o deixo repousar para cuidar dos afazeres do cotidiano, acomodo-o na ala nobre da estante aqui de casa, ladeado por Jarbas Jayme. Estou encantado com o generoso volume porque é como abrir uma porta do tempo e por ela entrar numa fascinante viagem de volta ao passado. E o livro vai muito além da saga dos Jayme/Jaime, ele narra de forma didática e convincente a história de Goiás e até do Brasil. Creio que ainda não temos noção do valor imenso dessa obra, mas o trabalho de formiguinha feito pelo autor na coleta de dados e depois o uso da boa técnica para organizar tudo, dará a ela o lugar merecido na história. Quem ainda não o comprou que compre logo porque são poucos exemplares e não há previsão de uma nova edição no momento. Planejamos um lançamento aqui em Pirenópolis no mês de janeiro próximo. Quando confirmar a data informo a todos.

Adriano Curado

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Bons tempos da SOAP

A primeira reunião da Sociedade dos Amigos de Pirenópolis (SOAP), em 1998, para discutir a captação de verbas públicas para reforma da Matriz, teatro, cinema e ponte do Carmo. Da esquerda para a direita: Altamir Mendonça, Emmanoel Jayme Lopes (Nelito), Sizenando Jaime Filho (Jaiminho), Deputado Federal Marconi Perillo, Embaixador Sérgio Amaral, Emílio de Carvalho (Milinho) e Luiz Armando Pompêo de Pina. A mulher não sei quem é. A partir dessa reunião, conseguiram que a Petrobras financiasse todas as obras, e inclusive o Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, veio a Pirenópolis conhecer os feitos da SOAP. O Ministro da Comunicações, Sérgio Motta, visitou a cidade e prometeu verba para a construção de uma ponte de concreto ligando a Vila Matutina ao Bairro do Carmo, liberou o recurso e morreu logo em seguida. Tal ponte hoje é o principal tráfego de turistas que desejam atravessar o rio das Almas, e por isso leva seu nome em justa homenagem.

Adriano Curado

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

HEELJ REALIZA PALESTRA PARA ADOLESCENTES EM PIRENÓPOLIS


Os alunos do Colégio Estadual Ermano da Conceição receberam neste dia 1º de dezembro orientações sobre Educação Sexual na Adolescência

Sempre buscando atender com excelência a comunidade pirenopolina, o Hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime (HEELJ) promoveu mais uma sessão de palestras no Colégio Estadual Ermano da Conceição nesta última quinta-feira, 1º de dezembro. Os alunos de 8º e 9º ano assistiram explanação sobre o tema Educação Sexual na Adolescência.

O objetivo desta ação é suscitar uma melhor interação com os adolescentes no que diz respeito às principais dúvidas relacionadas à sexualidade, relação sexual, alterações do corpo masculino e feminino, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e AIDS.

As turmas foram divididas em meninos e meninas, com palestras ministradas pelos profissionais da equipe multidisciplinar do HEELJ, o fisioterapeuta Marcos Vinicius, a psicóloga Ellen Cristina Silva e assistente social Ednalva Pereira. A finalidade de separação de turmas em gêneros se deu para conferir maior liberdade aos alunos para tirarem suas dúvidas.

O Hospital Ernestina busca sempre, através dos seus profissionais, trabalhar com a comunidade pirenopolina na prevenção e orientação de hábitos e rotinas saudáveis, buscando qualidade de vida para não apenas para os usuários que buscam a unidade hospitalar, mas para todos os cidadãos.

Foto e texto: Mariana Faria - Jornalismo

Tempestade que se aproxima


Na boquinha da noite, 
os casarões se fecham 
no aguardo da tempestade
 que se aproxima 
da velha Meia Ponte 
de Senhora de Rosário.

Adriano Curado

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Um casarão de muitas histórias


Este é o casarão de meu bisavô Luiz d’Abadia de Pina (Lulu), centro das decisões políticas pirenopolinas na década de 1960, lugar onde se realizaram sete festas do Divino Espírito Santo e ponto de alegria e folclore na Terra dos Pireneus. Hoje é bem cuidada por meu tio-avô Mauro de Pina, que a mantém sempre alegre, colorida e barulhenta. É carinhosamente chamada pela família de “casona”. Mas sua história vai muito além da família Pina. Provavelmente é a casa mais antiga de Pirenópolis. Construída na segunda metade do século XVIII por Alexandre Pinto Lobo de Sá, é o berço das famílias goianas Jaime e Sá. Ali morou Inhá Genu (Maria da Soledade Sá), que gerou grande descendência comn o padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury. 

Adriano Curado

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

HEELJ REALIZA AÇÃO NO DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À AIDS


 A unidade procura auxiliar usuários e colaboradores quanto às dúvidas e receios que rodeiam a doença que ainda hoje é carregada de estigmas e preconceitos

Neste 1º de dezembro, o mundo celebra a luta contra a Aids, doença que ataca o sistema imunológico e ainda é um tabu social. Com intuito de esclarecer sobre métodos de prevenção, tratamento e mitos, o Hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime promove, nesta quinta-feira (01), palestra com o tema Aids: medos, como evitar e como conviver, às 15h, na recepção da unidade.

Além de ouvir a exposição, ministrada pela enfermeira Mayra Borges, os usuários e colaboradores poderão assistir a filmes alusivos ao tema. O diretor geral do HEELJ, Hondinelly Santana, ressalta a importância de ações como estas para a população pirenopolina. “Precisamos quebrar os fortes paradigmas que estão associados à Aids. Hoje em dia, é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida, basta tomar os medicamentos indicados e seguir corretamente as recomendações médicas”, afirma.

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada a Aids, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose. Saber precocemente da doença é fundamental para aumentar ainda mais a sobrevida da pessoa, e, por isso, é recomendável fazer o teste sempre que passar por alguma situação de risco e usar sempre o preservativo.

Texto e foto: Mariana Faria Jornalismo

Livro sobre família Jayme será lançado nesta quinta-feira, 1º, na Assembleia

O livro Família Jayme “Genealogia da História”, de Nilson Gomes Jaime, tem solenidade de lançamento marcada para esta quinta-feira, 1º, no saguão principal da Assembleia Legislativa de Goiás, às 19h30.

O autor do livro ressalta que, em sua pesquisa para encontrar os ancestrais de João Gonzaga Jaime de Sá – genearca da Família Jayme – chegou até a Vila de São Paulo de Piratininga, onde João Ramalho (decavô do Coronel Jaime), náufrago que chegou ao Brasil em 1509, recepcionou Martin Afonso de Sousa em sua viagem exploratória ao Brasil, casou-se com a índia Bartira, filha de Tibiriçá (undecavô do coronel Jaime), cacique de uma das tribos que habitavam o centro da Vila de São Paulo. A família Jayme tem raízes na cidade de Palmeiras.

E mais: Nilson Jaime conta que os Jayme descendem – em parte – de nobres espanhóis e portugueses, das famílias Camargo e Bueno. Mas também há sangue índio e negro. Revela que os netos de Tibiriçá formaram os mamelucos Bandeirantes que se aventuraram pelo Brasil em busca de ouro e de aprisionamento de índios.

Fonte: 

Nilson Gomes Jaime é Membro Efetivo da APLAM

terça-feira, 22 de novembro de 2016

As sepulturas dos escravos em Meia Ponte

Nas laterais da Matriz estão as sepulturas dos escravos
Durante o tempo da mineração, no século XVIII, as Minas de Meia Ponte receberam uma multidão de escravos africanos para trabalhar no insalubre garimpo. Pelas condições desumanas a que eram submetidos, o índice de mortandade se mantinha sempre elevado. José Sisenando Jayme fez uma estimativa, ao comparar as mortes de negros com a dos brancos e chegou à assustadora cifra de 5/1 para o escravos.

Daí vem uma indagação interessante: onde eram sepultados tantos mortos? É certo que não havia cemitérios em Meia Ponte antes da Proclamação da República. Jarbas Jayme fala que possivelmente existiu um velho campo santo nos primórdios da povoação, mas ele foi abandonado, O atual Cemitério S. Miguel é bem jovem se comparado à cidade. Então, onde estão os mortos?

Dentro dos templos foram sepultados os homens brancos, desde que não cometessem suicídio e professassem a fé católica. Já os brancos desconhecidos da população, como os viajantes, os negros e pardos eram sepultados do lado de fora da igreja. O local era chamado nos termos de óbito de "átrio". 

Desta forma, ao redor da Matriz de Pirenópolis estão os túmulos de milhares de desconhecidos, atores que labutaram no garimpo de ouro e que pereceram sem que se saiba agora quem são. Um trabalho arqueológico ainda não foi realizado nessas sepulturas, mas sabemos que elas são organizadas e que estão divididas em andares. Basta ler os interessantíssimos livros de óbito no Arquivo Eclesiástico para saber mais sobre essa parte desconhecida da história.

Debaixo do assoalho da Matriz foram sepultados os brancos
 Mas havia também a Igreja do Rosário dos Pretos, que era de uso exclusivo dos negros e onde podiam ser sepultados livremente. Ocorre que, por se tratar de escravo, quem escolhia o lugar do sepultamento, por óbvio, era seu senhor, que quase sempre mandava enterrar perto da Matriz mesmo.

Numa escavação feita recentemente próximo onde ficava a Igreja do Rosário, depararam com inúmeras sepulturas anônimas. Também cabe registrar que na década de 1960, quando Emmanoel Jayme Lopes (Nelito) mandou construir a Praça Central, ali encontraram incontáveis ossadas humanas, que foram levadas para o cemitério. O que esses ossos faziam longe dos átrios dos templos? Seria ali o local do velho cemitério bandeirante que Jarbas Jayme tanto procurou e não encontrou? São perguntas ainda sem resposta.

Adriano Curado

A Igreja do Rosário dos Pretos era para sepultamento exclusivo dos escravos

HOSPITAL ERNESTINA CELEBRA NOVEMBRO AZUL COM PALESTRA DE CONSCIENTIZAÇÃO

 A unidade promove, no dia 23 deste mês, exposição sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata. A fachada principal recebeu iluminação azul também em homenagem à campanha

Novembro chegou com tons de azul no Hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime (HEELJ). O hospital celebra o mês com a campanha Novembro Azul, ganhando iluminação azul em sua fachada principal O objetivo é chamar a atenção de todos para a saúde do homem, em especial para lembrar a importância da realização de exames que podem diagnosticar e acelerar o tratamento do câncer de próstata.

No dia 23 de novembro, às 15h, o HEELJ promove ainda palestra com o fisioterapeuta da unidade, Marcos Vinícius do Nascimento, que aborda a prevenção e tratamento do câncer de próstata. De acordo com o fisioterapeuta, devem fazer o exame de toque, anualmente, homens a partir dos 40 anos que apresentam casos de câncer de próstata na família, e homens em geral, sem histórico, a partir de 45 anos. “Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores são as chances de cura”, alerta.

O movimento do Novembro Azul surgiu na Austrália, em 2003. No Brasil, a data foi criada pelo Instituto Lado a Lado com a Vida, com o objetivo de romper o preconceito masculino de ir ao médico, e se necessário, fazer o exame de toque. De acordo com pesquisas no país, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele e não-melanoma, além de ser também o sexto tipo mais comum no mundo. Atualmente, celebramos o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata no dia 17 deste mês.

O diretor geral do HEELJ, Rudson Teodoro, afirma que a conscientização é o primeiro passo, visto que o exame de prevenção ainda é visto com bastante preconceito. “O mais importante é a conscientização feita aos usuários e colaboradores de diversas faixas de idade. De posse dessas informações, eles também podem ajudar como multiplicadores fora do ambiente de trabalho, com seus familiares e amigos”, afirma.
Texto e fotos: Mariana Faria - Jornalismo


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Coisas de Pirenópolis que só pirenopolino entende

Aqui na Terra dos Pireneus têm nuances que só os daqui compreendem. 

Um exemplo é a política partidária que não termina com a apuração das eleições. As pessoas continuam umas azedas com as outras, como se ainda fosse necessário escolher um partido. Isso gera até inimizades e conheço gente que atravessa a rua para não cumprimentar adversário político. Como pode?

Outro exemplo é a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), que assumi há três anos (dois do primeiro mandato e este que está pela metade). Só porque convidei o prefeito eleito para conhecer nossa entidade, tirei foto ao lado de dele e publiquei, tem meia dúzia de desocupados que acham de me criticar. Ora, faça-me o favor. 

Criticam também porque abri a APLAM para pessoas de outras cidades: aqui tem Acadêmico de Corumbá de Goiás e de Palmeiras, além do José Joaquim do Nascimento que reside em Jaraguá. Parece até que ainda vivemos no isolamento do século XIX: nada pode mudar, não mexam nisso ou naquilo, é proibido. Já aviso de antemão que vêm novos membros aí, e vamos homenagear o Distrito de Lagolândia, numa valorização de quem produz arte fora da sede do Município.

Não me desanima as mensagens que recebo com comentários negativos e palavras pouco construtivas, pois quem assim age é pessoa despreparada e que não tem nada a acrescentar. Se tivesse, faria parte da APLAM.

E tenho dito!

Adriano Curado


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Adahyl Lourenço Dias

SÉRIE BIOGRAFIAS
ADAHYL LOURENÇO DIAS



Adahyl Lourenço Dias (n. Pirenópolis, 6.5.1911 – f. Anápolis, 7.5.2002) foi advogado, escritor, jurista, promotor público, delegado de polícia, vereador e prefeito de Anápolis

Filho do advogado José Lourenço Dias (1886 – 1939) e de Artemísia de Siqueira Dias. Sua mãe era filha do Major Silvino Odorico de Siqueira (1856 – 1935) e fazia, como todas suas irmãs, parte do Coro da Banda Euterpe, que cantava na Igreja Matriz de Pirenópolis. 

Seu pai foi cirurgião-dentista, advogado e político. Dele nos fala Jarbas Jayme: “José Lourenço Dias é, incontestavelmente, um dos mais competentes e acatados causídicos de Goiás, foi intendente municipal de nossa terra, eleito a 20.9.1919, e promotor público da comarca, nomeado interinamente, em 19.7.1915 e efetivado a  6.2.1916. Passou-se para Bonfim e daí para Anápolis, onde é dono do maior e mais bem organizado escritório do Estado, possuindo uma biblioteca extraordinária. Nessa grande tenda de trabalho militam com o experimentado causídico, três de seus filhos, bacharéis pela Faculdade de Direito de Goiás. Eleito suplente de Senador, tomou assento no Palácio Monroe, onde desfrutou da estima e do respeito de seus pares. Autodidata, fez-se por si, pois nunca experimentou estabelecimentos educacionais. Jornalista primoroso, fundou e dirigiu, em Anápolis, o apreciado semanário ‘Voz do Sul’.” (Famílias, pp. 50/1)

Eram irmãos de Adahyl: Napoleão, Pedro, Ewerton, Petrônio, Benedito, Wilson, Teresinha, Ami e Eunice.

Casarão onde nasceu e viveu na juventude a mãe de Adahyl
Adahyl transferiu-se com seus pais para a cidade de Bonfim (hoje Silvânia) em 1923, onde continuou os estudos, vindo depois a prestar exame de admissão no antigo Liceu de Goiás (1925) na Cidade de Goiás, à época Capital do Estado, aprovado em primeiro lugar.

Posteriormente, quando da transferência do Seminário de Santa Cruz da Diocese de Goiás, para Bonfim, nele passou a frequentar até a instalação do Ginásio Anchieta, criação e fundação do saudoso Dom Manoel Gomes de Oliveira.


Matriculou-se na antiga Escola de Direito de Goiás e posteriormente transferiu-se para a Faculdade de Direito de Goiás (1931), que reabria suas portas depois de um grande período de fechamento por questões políticas, bacharelando-se em 16/12/1933.

Exerceu a Procuradoria Fiscal da Prefeitura de Bonfim de 1927 a 1930, quando renunciou ao cargo para acompanhar o movimento político da Aliança Liberal, que dirigiu a Revolução de 1930 e levou ao Governo Federal Getúlio Vargas.

Em outubro de 1930 transferiu residência para Anápolis. Em 1932 exerceu o cargo de promotor público. Em 1933 foi nomeado membro do Conselho Consultivo da Prefeitura de Anápolis pelo Interventor Federal. Em 1933 foi nomeado Interventor Escolar do Estado de Goiás. Em 1935 foi eleito Vereador da Câmara Municipal de Anápolis. De 1934 a 1936 exerceu a Diretoria da Antiga Escola Normal de Anápolis (hoje Colégio Auxilium). Em 1937 exerceu o cargo de Delegado Auxiliar de Polícia da Secretaria de Segurança Pública.



Em 1938 foi nomeado Delegado Regional da Primeira Zona, cargo que recusou.

Exerceu o cargo de Delegado Florestal do Ministério da Agricultura.

Fundou e dirigiu o primeiro Ginásio de Anápolis, posteriormente transformado em Ginásio Arquidiocesano e atualmente Colégio São Francisco. Fundou e dirigiu a Conferência São Vicente de Paula, que instalou o primeiro asilo dos pobres da região. Fundou com outras pessoas o Clube Recreativo de Anápolis (CRA).

Fundou e dirigiu com seu pai o jornal “Voz do Sul”, que circulou de 1930 a 1939, com o objetivo de defender a mudança da Capital do Estado para Goiânia. 

Fundou e dirigiu a Escola de Instituição Militar em Anápolis, chamada “Tiro de Guerra”.

Em 1947 exerceu o cargo de prefeito de Anápolis. Posteriormente foi outra vez eleito Vereador de Anápolis, presidindo a Câmara Municipal, sendo reeleito em nova eleição.

Advogado militante, nunca deixou sua profissão. Foi consultor jurídico da Associação Comercial de Anápolis; advogado credenciado do antigo Sindicato dos Trabalhadores de Teatro de São Paulo, no quadro de Assistência Judiciária. Exerceu o cargo de Delegado da Ordem dos Advogados em Anápolis (1939).

ENTIDADES A QUE PERTENCEU:
Membro da Associação de Imprensa de Goiás e a Associação Brasileira de Imprensa. Conselheiro da Ordem dos Advogados em Goiás. Membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Membro da Academia Nacional de Direito do Trabalho. Membro da Academia Internacional de Jurisprudência e Direito Comparado. Membro do Instituto Luso-Brasileiro de Direito. Membro efetivo do Instituto dos Advogados do DF. Membro da Academia Anapolina de Letras e Artes.

Advogado José Lourenço Dias, pai de Adahyl

TÍTULOS QUE RECEBEU:
Comendador pela Ordem Gomes de Souza Ramos. Título de Benemérito do Lions Clube de Pirenópolis. Título de Honra ao Mérito do Rotary Club de Anápolis Região Leste, pela Sociedade Cristã Ortodoxa Beneficente de Anápolis. Diploma de Mérito pela União dos Escoteiros do Brasil. Titular Acadêmico do Centro Cultural, Literário e Acadêmico de Felgueiras, Portugal. Diploma expedido pela Ordem dos Advogados do Brasil, em reconhecimento pelos serviços prestados ao Direito e à Justiça no 50º ano de exercício da advocacia (1983). Diploma de Colaborador da 1ª Semana Nacional Mudancista da Universidade de São Paulo, pelos Centro Acadêmicos: XI de Agosto e XI de Maio (1957). Medalha Santo Ivo Patrono do Advogado, conferida pela Fraterna Ordem de Cristo, pela conduta moral, social, profissional e cristã (1933).

Obras publicadas:
Habeas Corpus
Recurso de Habeas Corpus
Habeas Corpus originário
Dos Avais Sucessivos e Simultâneos
Prescrição da Ação Penal
Salários da Concubina
Foro do Inventário
Do Risco Aéreo
Da Retroatividade da Lei Fiscal
Da Fraude à Execução
Fato Novo como Razão de Decidir
Do Pagamento de Custas
Dos Efeitos Jurídicos do Vale
Da Apelação em Concurso de Credores.
Dos Justos e Honorários de Advogado na Cobrança Cambial
A Concubina e o Direito Brasileiro, Editora Freitas Bastas, 1961.
O Desquite no Direito Brasileiro
Aparatas
A Boa Fé no Seguro de Vida em Grupo
A Prova na Investigação de Paternidade
Usucapião e Seus Elementos 
Eestudos em homenagem ao professor Washington de Barros Monteiro, Editora Saraiva, 1982
Venda a Descendentes, Editora Sugestões Literárias, 1971; José Konfino, 1976; Forense, 1985.
O Vale no Direito Brasileiro, Editora Revista dos Tribunais, 1974.


Adahyl na juventude - cortesia Natalina Fernandes
O grande destaque desse ilustre pirenopolino foi defender o direito da concubina (mulher que vive maritalmente com homem, sem estar com ele casada), numa época em que isso era um escândalo. Seus estudos foram a base para o reconhecimento da “companheira” no novo Código Civil, onde está equiparada à esposa.

Faleceu em 7 de maio de 2002, ao completar 91 anos de idade.

Uma Escola Municipal no Bairro Santos Dumont, na cidade de Anápolis, leva seu nome. Em Pirenópolis infelizmente é desconhecido. 

Foi Membro Efetivo Fundador da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), Cadeira VIII Patrono: Luiz Gonzaga Jayme. Posteriormente, impedido pela idade avançada de se fazer presente às reuniões e diante da importância de sua pessoa, passou a ser Membro Honorário da Academia, Cadeira XLI Patrono: Antônio Fleury de Souza Lobo, o único a receber tal distinção até o momento. É patrono da Academia Anapolina de Letras (ANALE).

Fonte:
JAYME, Jarbas. Famílias pirenopolinas – Vol. V. Goiânia: UFG, 1973.

Site da Academia Brasileira de Direito do Trabalho – http://www.andt.org.br/
Site da Ordem dos Advogados de Brasil, Seção Goiás – http://www.oabgo.org.br/oab/home/
Site da Prefeitura Anápolis – http://anapolis.go.gov.br/portal/

Arquivo da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música.
Arquivo da Academia Anapolina de Letras (ANALE).

Reunião para fundação da APLAM. Adahyl é o segundo da esquerda p/ direita.
Legenda da última foto, que foi tirada em 1994, na sede da AABB de Pirenópolis, na Rua Aurora: da esquerda para a direita: Pérsio Ribeiro Forzani, Adhayl Lourenço Dias, José Carlos Gentili, Victor Tannuri, Emílio Terraza, Luiz Armando Pompêo de Pina e João Luiz Pompêo de Pina.

Adriano Curado

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O bebê nas minas de Meia Ponte




Não era fácil a vida dos bebês nas minas de ouro no século XVIII. E as dificuldades começavam antes mesmo do nascimento. As grávidas não contavam com acompanhamento médico adequado, não tinham uma alimentação rica em nutrientes e geralmente trabalhavam bastante: carregavam peso, cozinhavam, passavam roupas com ferro à brasa, equilibravam potes cheios etc.

A exceção eram as sinhás, esposas dos ricos proprietários de escravos e donos das lavras. Mas essas eram poucas. Na sua maioria, as mulheres trabalhavam muito.


Depois de conhecerem a luz pelas mãos de uma parteira, os recém-nascidos ainda corriam o risco da rejeição, principalmente se provinham de alguma relação não oficializada pela Igreja. A roda dos expostos que existiam em algumas santas casas de misericórdia naqueles tempos é prova disso.

Se tudo fosse bem na gestação, no parto e no lar, o bebê podia ainda sofrer as doenças que assolavam as minas insalubres. O local era infestado por ratos, insetos e outros seres peçonhentos. Doenças como difteria, chagas e febre amarela eram comuns, agravadas pela falta de higiene do povo da época. A dengue ainda não se manifestara, embora o primeiro lote de aedes aegypti já zumbisse nos porões dos navios negreiros africanos. Quando os primeiros habitantes se instalaram aqui, as crianças menores dormiam em jaulas para escapar dos morcegos vampiros.


Tudo que foi escrito acima vale apenas se o recém-nascido fosse uma criança livre. Se nascesse escravo, seu destino era cruel. Separado da mãe antes do desmame, era vendido para mercadores de gente e nunca mais voltava ao lar.


Outro ponto contra os bebês era o constante deslocamento da população das minas, que vivia atrás de locais prósperos. Mal o ouro esgotava em um local e eles já partiam para outro mais promissor. E as viagens eram sofríveis. Estradas que não passavam de picadas, transporte em mulas ou carroções. Faltavam pontes e chovia demais.

Havia também as superstições, o medo de mandingas, as discutíveis tradições orais etc.

O modo de vida nas minas de ouro no século XVIII eram basicamente semelhantes em todos os lugares. A realidade vivida em Minas Gerais se aproximava à de Goiás, e portanto de Meia Ponte. Os estudos realizados, desta forma, aproveitam-se para todos os sítios.


Por tudo isso, eu concluo que a decisão de ter um filho em Meia Ponte à época da mineração se tornava uma aventura. Mas as famílias eram numerosas, o que compensava as perdas de vidas naqueles tempos difíceis. A altíssima taxa de mortalidade infantil constituía uma triste realidade.

Adriano Curado


Fonte:
ABREU, Jean. O corpo, a doença e a saúde: o saber médico luso-brasileiro no século XVIII.
2006. Tese (Doutorado) Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.
______. A colônia enferma e a saúde dos povos: a medicina das “luzes” e as informações sobre as enfermidades da América portuguesa. História, Ciências e Saúde, Manguinhos, v. 14, n. 3, jul./set. 2007.
ALMEIDA, Carla B. Medicina mestiça: saberes e práticas curativas nas minas setecentistas. São Paulo: Annablume, 2010.
BOXER, Charles. A idade do outro no Brasil. Dores de crescimento de uma sociedade colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

FURTADO, Júnia. Barbeiros, cirurgiões e médicos na Minas colonial. In: Revista do Arquivo Público Mineiro, ano XLI, jul./dez. 2005.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Chuva no Largo


Tem chuva no velho Largo da Matriz. Os casarões se encolhem ante a ventania e as varandas se enchem de ciscos.

Quadro óleo sobre tela de Mirim Santos intitulado : Praça Central - um dia com chuva. 80x90cm. A venda por  1.500,00 Reais

Dia 24 de Outubro de 2016


De 10 a 0. Nota 10 aos Trovadores dos Pireneus pela maravilhosa seresta nas ruas de Pirenópolis. Foi como uma volta no tempo as canções acompanhadas pelo público animado. Nota zero para a falta de educação dos motoristas que jogavam o carro na gente e faziam questão de aumentar o volume do som automotivo para perturbar. Nossa cultura e educação estão muito além de gente desse nível espiritual. Por fim, arrematamos nas escadaria da Matriz com belo coral, à capela, em exaltação à tradição meiapontense.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Saudades de Alaor e Ita


Quanta falta faz à cultura pirenopolina esse magnífico casal: Ita e Alaor! Ele era primeiro violino e ela, segundo. E assim como se tornaram almas gêmeas, também seus instrumentos se encontraram na harmonia dos tons nas esferas espirituais. Nossos eventos musicais não são mais os mesmos sem eles. Faz falta seus violinos lá nas Pastorinhas, no coro da Matriz, nas tocatas na Pousada dos Pireneus, nas serenatas pelas vielas onde a lua derramava seu tapete de prata. Mas a imortalidade está também na memória de todos que os amaram e agora os guardam na memória. E se assim é, ele são eternos!

Adriano Curado

O toque dos sinos


Esta é a torre do poente da Igreja Matriz de Pirenópolis. É a torre do relógio e também campanário. E foi dali que seu Ico (Teodorico) tantas vezes fez soluçar os sinos anunciando momentos festivos ou tristes. O velho templo se comunicava com os pirenopolinos. E para resgatar o toque antigo dos sinos da Matriz, o genial maestro José Joaquim Do Nascimento, Membro da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), prepara seu minucioso registro em partituras.Um legado que ficará para a posteridade.

Adriano Curado

Porto seguro


Cidade de tantas maravilhas pintadas por muitas cores, terra que guardo sempre do lado esquerdo do peito. Ainda que zanze por distantes mares, é cá na Terra dos Pireneus que quero atracar meu destino para sempre.

Adriano Curado

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O prefeito eleito visita a APLAM


No último sábado, 15/10/16, a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM) recebeu a ilustre visita do prefeito eleito de Pirenópolis, João Batista Cabral, muito simpático e solícito, que se comprometeu a ajudar a entidade no transcorrer da sua gestão. A ele o nosso agradecimento, com votos de sucesso na futura administração do Município.





Visita à Fazenda Babilônia



Membros da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM) visitaram, Telma Lopes Machado, que recentemente foi eleita para Membro Efetivo da entidade.

Para quem não conhece nossa história, Telma mora na histórica Fazenda Babilônia, onde desenvolve uma custosa pesquisa da história gastronômica goiana.

O Morro do Frota, sua Mansão e a Igreja do Carmo


Situa-se no maciço a leste de Pirenópolis a elevação de todos conhecida como Morro do Frota.

 Provém o nome de seu primeiro dono, o riquíssimo Sargento-mór Antônio Rodrigues Frota, natural da freguesia de São Miguel do patriarcado de Lisboa, falecido em Pirenópolis a 22 de dezembro de 1774. Segundo Jarbas Jayme, a ele e a seu sogro Luciano Nunes Teixeira deve Pirenópolis a Capela de Nossa Senhora de Monte do Carmo – aquela ao lado da ponte de madeira, tradicionalíssima, sobre o Rio das Almas – capela que construíram, onde estão sepultados e onde existiam suas lápides sepulcrais. A igreja passou por uma deprimente reforma em 1868 possivelmente, perdendo suas características coloniais, mais elegantes a meu ver – como  se observa em belíssimo desenho de W. J. Burchell, de 1828. Estava então prestes a ruir, escorada por postes de madeira. Aparece na última capa desta revista, em fiel pintura do acadêmico Pérsio Ribeiro Forzâni, baseada no esboço de Burchell.
 
No mesmo desenho do inglês Burchell, em 1828, vê-se do lado direito, o palácio que o Sargento-mór Frota construiu para sua moradia. Tinha uma torre, onde decerto o milionário estendia-se em confortável rede, assistindo ao fim do dia, cercado de amigos ricos e eventuais e inevitáveis bajuladores. Pintado por Forzâni, em quadro de coleção do Acadêmico Isócrates de Oliveira, mostra-se, junto com a Ponte sobre o Rio das Almas, na capa frontal desta Revista.
 
Era o Frota casado com uma senhora, também portuguesa, com a qual teve filhas e – ao que parece – nenhum filho varão.
 
Segundo a tradição, acreditava-se o Frota tão rico e importante, que não deu suas filhas em casamento a ninguém em Meya Ponte.
 
O palácio mourisco do Frota – esse mourisco por minha conta, por destoar muito da arquitetura usual da época – existia ainda em 1828 – ( há mais de cinquenta anos morrera seu construtor) – na minha opinião foi a maior residência erguida em Goiás no século XVIII. E seguramente uma das maiores erguidas no Brasil naquele século, similar à Casa dos Contos de Ouro Preto, pertencente ao inconfidente João Rodrigues Machado, o homem mais rico de Minas Gerais em fins daquele século e, que comprando sua liberdade através de doações ao terrível governador de Minas ao tempo da Inconfidência, salvou sua pele. Mas maçon que era, sempre mandou algum dinheiro para seus encarcerados amigos, entre eles o famoso alferes Tiradentes, que além de seu parco salário de militar, complementava-o com o ofício de dentista.
 
Voltemos ao Sargento-mór Antônio Rodrigues Frota. Foram – ele e seu sogro – especialistas em mineração, empreendimento a que não devia faltar anexa uma poderosa casa comercial, comuns na adesão de dezenas de correspondentes comerciais – sobretudo na Bahia, que era então, ainda, a capital do Brasil. Os alicerces do palácio do Frota existiram, até alguns anos atrás, no terreno do grande Hotel Pousada dos Pireneus.
 
Segundo o Acadêmico Pompeu Christovam de Pina, em meados do século XVIII, teria o Frota adquirido – a preço de banana – quase todas as lavras de ouro da Serra dos Pireneus.
 
O destino do potentado Antônio Rodrigues Frota esbarrou no do também poderoso Antônio José de Campos. Também Sargento-mór, Antônio José de Campos é um dos patriarcas da família Fleury Curado no Brasil, com diversos representantes em Pirenópolis e Corumbá.
 
Era português do bispado de Vizeu e teve vida longa, falecendo muito depois do Frota, em 1795.
 
Jarbas Jayme coletou na tradição pirenopolina de que havia uma surda competição entre o Sargento-mór Campos e o sogro de Frota, Luciano Nunes Teixeira.
 
Luciano, talvez em ano anterior a 1750, teria erguido a pequena Capela do Carmo. Pois em seguida, Antônio José de Campos ergue (1750 – 1754) a esplendorosa Igreja do Bonfim, situada mais alta, ao lado da estrada que leva à Serra dos Pireneus, ao lado do Hotel Quinta da Santa Bárbara, e de onde, no passado, também rompia a estrada para Corumbá. Campos tinha suas principais minas para as bandas de Corumbá.
 
Seja como for, a resposta do mandatário Luciano pode ter sido o erguimento inusitado do já citado palácio mourisco.
 
Emulavam-se os dois. Competiam para demonstrar publicamente suas riquezas. Não sabemos como Antônio José de Campos revidou à construção do palácio mourisco. Teve porém diversas grandes casas em seus sítios de lavras e de roças, entre elas a famosa Tapera Grande, que pode ter sido um símile do palácio do Frota em área rural.
 
Concluamos, porém, o caso do Frota com um episódio significativo dos tempos. Visitando Pirenópolis, em 1819, o grande naturalista Auguste de Saint Hilaire conheceu o palácio em ruínas e soube dos destinos das filhas do Frota.
 
Morreram à míngua, mendigando pelas ruas de Pirenópolis.

Paulo Bertran. Revista Meya Ponte nº 03, ano 1998, pp. 11/13.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Pompeu de Pina e Tonico do Padre

foto Lailson Damasio

Christóvam Pompêo de Pina é um pirenopolino que faz falta à velha cidade. Sinto sua ausência nas procissões mandando o povo entrar na fila e ficar calado. E o interessante é que todo mundo obedecia.

Eu era criança e andava no cortejo do Senhor Morto de mãos dadas com meu avô José. Ele de opa, segurando aquele castiçal imenso com uma vela na ponta. Eu me sentia orgulhoso porque estava no meio da Irmandade do Santíssimo. Sonhava ser irmão também, e fui, até padre Joel me expulsar... mas isso é outra história. 

Fato é que, andava ali segurando nas mãos do meu avô, olhos fixos na imagem do Senhor Morto, quando lá vinha Pompeu com seu paletó desabotoado  e opa esvoaçante. Gritava que quem não fosse da Irmandade tinha que ir para a calçada. Eu ficava aflito, com coração aos saltos e apertava a mão do meu avó, que olhava para mim com tranquilidade. Pompeu tirava entremeio aos irmãos quem não vestia a linda opa incandescente. Mas ao passar por mim, alisou meu cabelo e foi ralhar lá na frente. Muitos anos depois, quando em plena segunda-feira da Festa do Divino ele me pediu para socorrê-lo como advogado numa audiência na Justiça Trabalhista, fiz esse favor de bom grado porque ele foi gentil comigo naquela procissão.

Esta pintura de Tonico do Padre (Antônio da Costa Nascimento), datada de 1885,
mostra o garimpo do Abade em plena produção.
A obra também pertence ao acervo do Museu da Família Pompêo
Bom. Mas voltemos ao foco da postagem. Há outro mérito que deve ser tributado a Pompeu de Pina. Ele comprou da viúva do Major Silvino Odorico de Siqueira todo o acervo da Banda Euterpe, corporação musical que se extinguiu com a morte  do maestro. E junto com as partituras vieram pinturas magníficas  de Antônio da Costa Nascimento (Tonico do Padre), todas feitas  no século XIX.

Um dia, eu passava pela Rua Nova quando, de repente, Pompeu apareceu na janela e me chamou. Eu sentei numa mesa e ele abriu diante dos meus olhos estasiados um lindíssimo álbum com as pinturas do grande Tonico do Padre. Extraordinário acervo muito bem preservado. Pompeu me disse que se ele não tivesse comprado a relíquia, ela teria certamente desaparecido.

Pintura de Antônio da Costa Nascimento (Tonico do Padre) que
retrata Meia Ponte (Pirenópolis) no final do século XIX.
 O álbum completo das obras de arte do grande artista,
quase sempre retratando o ambiente urbano,
 está no acervo do Museu da Família Pompêo, na Rua Nova
Agora Pompeu se foi e eu me preocupo muito com seu  acervo valiosíssimo. Seus filhos são bem ligados à cultura, é verdade, mas o museu está fechado, sem arejar, e isso pode comprometer obras sensíveis, como é o caso da pintura do grande meste. E então, vamos preservar o Museu da Família Pompêo?

Adriano Curado  

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

HOSPITAL ERNESTINA PROMOVE CAMPANHA DO OUTUBRO ROSA

A unidade implantou iluminação rosa na faixada, além de realizar palestra e exames de prevenção


O Outubro Rosa chegou, e o Hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime (HEELJ) não ficará de fora da campanha internacionalmente conhecida por promover a conscientização para prevenção do câncer de mama e colo de útero. A fachada da unidade recebeu, na última terça-feira (4), iluminação e banner com laço cor de rosa, a cor característica da campanha.

O Hospital Ernestina dedica todo mês a divulgar informações sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama e colo de útero. No próximo dia 13 de outubro, quinta-feira, a unidade terá palestra com a enfermeira Mayra Borges, além de realizar exames de prevenção e distribuição de lacinhos rosa para os usuários que comparecerem. O evento conta ainda com a participação da paciente A. M. M., que tratou câncer de mama no HEELJ, e prestará depoimento de sua experiência.

A coordenadora geral multidisciplinar e de enfermagem, Michele Cristina Jaime, comenta o quão relevante é, para o hospital, a promoção de ações em apoio à campanha do Outubro Rosa. “A sociedade precisa saber que o diagnóstico precoce é a arma mais importante para vencer o câncer. A nossa intenção, como unidade de saúde, é salvar vidas”, afirma.

Comemorado em todo o mundo desde o início da década de 1990, o Outubro Rosa vem para ampliar as informações acerca da prevenção destes tipos de câncer, o segundo mais frequente da doença no globo, mais comum em mulheres. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, já que a doença continua sendo diagnosticada em estágios avançados.

Foto e texto: Mariana Faria - Jornalismo

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Chuva divina

Chuva benfazeja que cai suave sobre nossa cidade, avoluma o Rio das Almas e traz saudades de outros tempos, quando havia mais fartura de água! O barulho das gostas que pingam do telhado no terreiro atiça a vontade de tomar um café fresquinho com broa de milho, lembrança dos avós em outras épocas.

Tomara que a chuva continue assim calma, sem estardalhaços, sem bulir com as gentes e suas coisas. É a água serena e constante que se infiltra no solo e avoluma o lençol freático, enche as nascentes dos córregos e esverdeia os matos.

Outro dia li um texto do Jarbas Jayme, escrito na década de 1950, onde ele reclama que antigamente era bom de chuva. Imagina se ele vivesse nos tempos atuais?!

Hoje o que cai aqui é pouca água, bem sei, mas suficiente no momento para não deixar esta terra abençoado se ressecar.

Bem-vinda, chuva divina.


Adriano Curado

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Calendário cultural


Outubro

01 a 07 – Semana de comemorações do 287º Aniversário de Pirenópolis

19 a 28 – Festa de São Judas Tadeu, na Capela São Judas Tadeu no Bairro do Carmo.

16 a 25 – Festa em louvor a São Judas Tadeu no povoado de Jaranápolis.

28/10 a 01/12 – 7º Festa Literária de Pirenópolis – FLIPIRI



Novembro

28/11 a 08/12 – Festa de Nossa Senhora da Conceição no Distrito de Lagolândia e Capela.



Dezembro

04 a 12 – Festa em Louvor a Santa Bárbara

05 a 23 – Natal Luz e Casa do Papai Noel.

31 – Reveillon em Família.

Fonte site Prefeitura

domingo, 2 de outubro de 2016

Novo prefeito

Parabéns a João do Leo pela sua eleição como prefeito de Pirenópolis. Que Deus o ilumine nessa sua missão.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A música em Pirenópolis




Nossa Pirenópolis, que já foi o berço da imprensa, da música e da cultura em geral em Goiás, precisa revelar novos talentos. E sei que não faltam bons candidatos a segurar o bastão que recebemos dos antigos. O problema é a vida moderna, a internet, as redes sociais, os celulares e por aí vai. Essas inovações atuais tiram o foco da juventude e faz ficar em segundo plano o aprendizado cultural.

Por aqui já passaram grandes mestres da música, por exemplo. Eram verdadeiros gênios que souberam desenvolver a arte da Euterpe e levá-la a patamares elevadíssimos. Cito Tonico do Padre, Mestre Propício, Major Silvino de Siqueira, entre tantos outros. 

No entanto, recentemente a Escola de Música da Banda Fênix abriu vagas para novos alunos e a procura foi insignificante. Uma oportunidade dessas, de estudar música de graça, não parece atrair a atenção da moçada atual.

É uma pena que assim seja. Se não alimentarmos de azeite o candeeiro, amanhã corremos o risco de ficarmos no escuro.

Adriano Curado

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Parque Municipal Rio das Almas


Sinto falta de comprometimento e de propostas ambientais para o Rio das Almas. Nenhum candidato propôs um projeto ou alguma proposta para a conversação de nossos mananciais de águas. As nascentes dos córregos que abastecem Pirenópolis com água potável devem ser transformadas em parques municipais, assim como as margens do Rio das Almas no trecho que corta a cidade, incluindo os Córregos Pratinha e Lava Pé, evitando assim as ocupações irregulares que essas áreas vêm sofrendo ultimamente!

Texto e foto: Cristiano Costa

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Homenagem a Teninho


A morte é sempre inesperada. Não importa se a pessoa já é mais velha, se está doente..... Quando chega, o momento é sempre inoportuno. Faltou um abraço, uma despedida, um só momento a mais. Faltou ver mais um olhar, mais um sorriso, ouvir só mais uma vez a sua voz. A morte é a dona do tempo!

Texto e foto: Miriam Almeida

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

HOSPITAL ERNESTINA CELEBRA DIA NACIONAL DE DOAÇÃO DE ORGÃOS

 Reconhecendo a importância de esclarecer aos usuários sobre os benefícios em doar órgãos, a unidade promove iluminação esverdeada e vídeos educacionais na recepção

O Hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime (HEELJ) participa, no dia 27 de setembro, do Dia Nacional de Doação de Órgãos. A unidade celebra com faixas em sua porta principal, que foram inseridas nesta terça-feira (20), e já está com iluminação verde – cor que faz alusão à doação de órgãos – no jardim de frente ao hospital desde o início do mês, além de exibição de vídeos na recepção sobre o tema.

O objetivo da ação é incentivar o cidadão a conversar com os familiares sobre doação de órgãos e deixar claro da sua intenção de ser um doador. Além disso, o hospital considera importante frisar que o tema da doação de órgãos não deve ficar restrito ao ambiente médico, mas sim que as pessoas pensem sobre a doação no seu dia a dia, para que, cada vez mais, esse ato parta de uma decisão consciente tomada ainda em vida.    

 A Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) das unidades, grupo multidisciplinar que possui a responsabilidade de explicar o funcionamento da doação de órgãos, auxilia na funcionalidade do processo, tornando-o mais ágil e eficiente, e garantindo que ele está de acordo com os parâmetros éticos e morais.

A gestora de humanização do HEELJ, Helga Jaime, enfatiza a importância de celebrar este dia no hospital. “Muitos usuários não sabem como funciona a doação de órgãos, quais os benefícios que ela gera e como proceder para autorizar. Por isso, o Hospital Ernestina faz questão de promover ações de esclarecimento e incentivo. Doar órgãos é um ato de compaixão”, afirma.
 
Texto e foto: Mariana Faria - Jornalismo

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O sumiço das assombrações

Você já notou que as assombrações sumiram do imaginário popular? Creio que isso é fruto da modernidade. Hoje as pessoas não têm mais tempo para essas extravagâncias, preferem assistir televisão ou acessar internet. Mas houve tempo em que eram bem recorrentes os causos de aparições.

Lembro-me da infância na fazenda de meu avô José, quando ao final do dia a peonagem se sentava ao pé de um fogão a lenha, enrolava o cigarro de palha, trocava um dedo de prosa até chegar a hora de dormir, E naqueles bons tempos se dormia cedo. Fato é que, lá pelas tantas, sempre se ouvia uma narrativa do outro mundo. Eu ficava ali de olhos bem arregalados, coração palpitante, e quando ia dormir estava tão impressionado que ouvia passos e arrastar de correntes a noite toda.

Um dia meu avô, que era um cético, depois de ouvir o que ele classificou de baboseiras, levantou-se e disse em alto e bom som que não acreditava em nada daquilo. E completou: "Se existir alma de outro mundo, que chame meu nome". Mal terminou de falar e ouvimos lá de fora: "Zé!"

Foi um pandemônio na fazenda. Meu avô achava que era uma brincadeira de mal gosto. Acendeu luzes, piscou a cachorrada e pôs todos a averiguar. Mas não havia ninguém. Ali na cozinha estavam todos que se encontravam na fazenda naquele momento. Nunca soubemos explicar isso.

Outro fato perturbador ocorreu na nossa casa na Rua Nova, aqui em Pirenópolis. Minha avó Maria nos contou que certa madrugada, quando minha mãe (Marta) e minha tia (Beatriz) eram crianças pequenas, meu avô na fazenda, ela começou a ouvir móveis que se arrastavam na sala de visitas. Depois as jarras se lançaram ao chão e mesas e cadeiras passaram a se debater com bastante força. Devagar, sem que as filhas acordassem, foi até a porta do quarto e a fechou. No outro dia não havia nada quebrado e tudo estava no devido lugar.

Ainda na mesma casa, contou-nos Josafá Benedito Gomes, o saudoso Diquinho, que ele, quando solteiro, tinha um comércio onde hoje está a farmácia do Hélio Forzani, ponto comercial da casa. Numa noite, quando meus avós estavam para a fazenda e ele dormia sozinho na casa, num colchão sobre o balcão da venda, começou a ouvir arrastar de móveis e gemidos que vinham lá de dentro. Amanheceu sentado no meio-fio. E quando finalmente abriram a casa no outro dia, nada estava fora do lugar.

E há muitas histórias ainda mais antigas. Lembro-me de uma que me contou dona Lélia de Pina Amor sobre um cavaleiro que zanzava na Rua Nova na alta madrugada. Esse relato era narrado pelos mais antigos e diziam que houve até uma testemunha. Foi dona Eufêmia de Pina, filha do Mestre Propício, quem presenciou. Contava ela (Eufêmia) que acordou à noite com o resfolegar de um cavalo próximo à tabuleta da janela e quando olhou pela fresta, viu a aparição vestida de general antigo, com galões dourados pendentes no ombro. De repente disparou em galope e sumiu.

Nestes atuais tempos sem poesia e romantismo, até as assombrações fazem falta. Mas para não deixar que velhas histórias se sumam, na Fazenda Babilônia há um evento interessante. À noite apagam as luzes e os presentes contam as histórias mal-assombradas que conhecem. Deve ser deliciosamente assustador.

Adriano Curado