sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Um casarão de muitas histórias


Este é o casarão de meu bisavô Luiz d’Abadia de Pina (Lulu), centro das decisões políticas pirenopolinas na década de 1960, lugar onde se realizaram sete festas do Divino Espírito Santo e ponto de alegria e folclore na Terra dos Pireneus. Hoje é bem cuidada por meu tio-avô Mauro de Pina, que a mantém sempre alegre, colorida e barulhenta. É carinhosamente chamada pela família de “casona”. Mas sua história vai muito além da família Pina. Provavelmente é a casa mais antiga de Pirenópolis. Construída na segunda metade do século XVIII por Alexandre Pinto Lobo de Sá, é o berço das famílias goianas Jaime e Sá. Ali morou Inhá Genu (Maria da Soledade Sá), que gerou grande descendência comn o padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury. 

Adriano Curado

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

HEELJ REALIZA AÇÃO NO DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À AIDS


 A unidade procura auxiliar usuários e colaboradores quanto às dúvidas e receios que rodeiam a doença que ainda hoje é carregada de estigmas e preconceitos

Neste 1º de dezembro, o mundo celebra a luta contra a Aids, doença que ataca o sistema imunológico e ainda é um tabu social. Com intuito de esclarecer sobre métodos de prevenção, tratamento e mitos, o Hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime promove, nesta quinta-feira (01), palestra com o tema Aids: medos, como evitar e como conviver, às 15h, na recepção da unidade.

Além de ouvir a exposição, ministrada pela enfermeira Mayra Borges, os usuários e colaboradores poderão assistir a filmes alusivos ao tema. O diretor geral do HEELJ, Hondinelly Santana, ressalta a importância de ações como estas para a população pirenopolina. “Precisamos quebrar os fortes paradigmas que estão associados à Aids. Hoje em dia, é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida, basta tomar os medicamentos indicados e seguir corretamente as recomendações médicas”, afirma.

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada a Aids, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose. Saber precocemente da doença é fundamental para aumentar ainda mais a sobrevida da pessoa, e, por isso, é recomendável fazer o teste sempre que passar por alguma situação de risco e usar sempre o preservativo.

Texto e foto: Mariana Faria Jornalismo

Livro sobre família Jayme será lançado nesta quinta-feira, 1º, na Assembleia

O livro Família Jayme “Genealogia da História”, de Nilson Gomes Jaime, tem solenidade de lançamento marcada para esta quinta-feira, 1º, no saguão principal da Assembleia Legislativa de Goiás, às 19h30.

O autor do livro ressalta que, em sua pesquisa para encontrar os ancestrais de João Gonzaga Jaime de Sá – genearca da Família Jayme – chegou até a Vila de São Paulo de Piratininga, onde João Ramalho (decavô do Coronel Jaime), náufrago que chegou ao Brasil em 1509, recepcionou Martin Afonso de Sousa em sua viagem exploratória ao Brasil, casou-se com a índia Bartira, filha de Tibiriçá (undecavô do coronel Jaime), cacique de uma das tribos que habitavam o centro da Vila de São Paulo. A família Jayme tem raízes na cidade de Palmeiras.

E mais: Nilson Jaime conta que os Jayme descendem – em parte – de nobres espanhóis e portugueses, das famílias Camargo e Bueno. Mas também há sangue índio e negro. Revela que os netos de Tibiriçá formaram os mamelucos Bandeirantes que se aventuraram pelo Brasil em busca de ouro e de aprisionamento de índios.

Fonte: 

Nilson Gomes Jaime é Membro Efetivo da APLAM

terça-feira, 22 de novembro de 2016

As sepulturas dos escravos em Meia Ponte

Nas laterais da Matriz estão as sepulturas dos escravos
Durante o tempo da mineração, no século XVIII, as Minas de Meia Ponte receberam uma multidão de escravos africanos para trabalhar no insalubre garimpo. Pelas condições desumanas a que eram submetidos, o índice de mortandade se mantinha sempre elevado. José Sisenando Jayme fez uma estimativa, ao comparar as mortes de negros com a dos brancos e chegou à assustadora cifra de 5/1 para o escravos.

Daí vem uma indagação interessante: onde eram sepultados tantos mortos? É certo que não havia cemitérios em Meia Ponte antes da Proclamação da República. Jarbas Jayme fala que possivelmente existiu um velho campo santo nos primórdios da povoação, mas ele foi abandonado, O atual Cemitério S. Miguel é bem jovem se comparado à cidade. Então, onde estão os mortos?

Dentro dos templos foram sepultados os homens brancos, desde que não cometessem suicídio e professassem a fé católica. Já os brancos desconhecidos da população, como os viajantes, os negros e pardos eram sepultados do lado de fora da igreja. O local era chamado nos termos de óbito de "átrio". 

Desta forma, ao redor da Matriz de Pirenópolis estão os túmulos de milhares de desconhecidos, atores que labutaram no garimpo de ouro e que pereceram sem que se saiba agora quem são. Um trabalho arqueológico ainda não foi realizado nessas sepulturas, mas sabemos que elas são organizadas e que estão divididas em andares. Basta ler os interessantíssimos livros de óbito no Arquivo Eclesiástico para saber mais sobre essa parte desconhecida da história.

Debaixo do assoalho da Matriz foram sepultados os brancos
 Mas havia também a Igreja do Rosário dos Pretos, que era de uso exclusivo dos negros e onde podiam ser sepultados livremente. Ocorre que, por se tratar de escravo, quem escolhia o lugar do sepultamento, por óbvio, era seu senhor, que quase sempre mandava enterrar perto da Matriz mesmo.

Numa escavação feita recentemente próximo onde ficava a Igreja do Rosário, depararam com inúmeras sepulturas anônimas. Também cabe registrar que na década de 1960, quando Emmanoel Jayme Lopes (Nelito) mandou construir a Praça Central, ali encontraram incontáveis ossadas humanas, que foram levadas para o cemitério. O que esses ossos faziam longe dos átrios dos templos? Seria ali o local do velho cemitério bandeirante que Jarbas Jayme tanto procurou e não encontrou? São perguntas ainda sem resposta.

Adriano Curado

A Igreja do Rosário dos Pretos era para sepultamento exclusivo dos escravos

HOSPITAL ERNESTINA CELEBRA NOVEMBRO AZUL COM PALESTRA DE CONSCIENTIZAÇÃO

 A unidade promove, no dia 23 deste mês, exposição sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata. A fachada principal recebeu iluminação azul também em homenagem à campanha

Novembro chegou com tons de azul no Hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime (HEELJ). O hospital celebra o mês com a campanha Novembro Azul, ganhando iluminação azul em sua fachada principal O objetivo é chamar a atenção de todos para a saúde do homem, em especial para lembrar a importância da realização de exames que podem diagnosticar e acelerar o tratamento do câncer de próstata.

No dia 23 de novembro, às 15h, o HEELJ promove ainda palestra com o fisioterapeuta da unidade, Marcos Vinícius do Nascimento, que aborda a prevenção e tratamento do câncer de próstata. De acordo com o fisioterapeuta, devem fazer o exame de toque, anualmente, homens a partir dos 40 anos que apresentam casos de câncer de próstata na família, e homens em geral, sem histórico, a partir de 45 anos. “Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores são as chances de cura”, alerta.

O movimento do Novembro Azul surgiu na Austrália, em 2003. No Brasil, a data foi criada pelo Instituto Lado a Lado com a Vida, com o objetivo de romper o preconceito masculino de ir ao médico, e se necessário, fazer o exame de toque. De acordo com pesquisas no país, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele e não-melanoma, além de ser também o sexto tipo mais comum no mundo. Atualmente, celebramos o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata no dia 17 deste mês.

O diretor geral do HEELJ, Rudson Teodoro, afirma que a conscientização é o primeiro passo, visto que o exame de prevenção ainda é visto com bastante preconceito. “O mais importante é a conscientização feita aos usuários e colaboradores de diversas faixas de idade. De posse dessas informações, eles também podem ajudar como multiplicadores fora do ambiente de trabalho, com seus familiares e amigos”, afirma.
Texto e fotos: Mariana Faria - Jornalismo


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Coisas de Pirenópolis que só pirenopolino entende

Aqui na Terra dos Pireneus têm nuances que só os daqui compreendem. 

Um exemplo é a política partidária que não termina com a apuração das eleições. As pessoas continuam umas azedas com as outras, como se ainda fosse necessário escolher um partido. Isso gera até inimizades e conheço gente que atravessa a rua para não cumprimentar adversário político. Como pode?

Outro exemplo é a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), que assumi há três anos (dois do primeiro mandato e este que está pela metade). Só porque convidei o prefeito eleito para conhecer nossa entidade, tirei foto ao lado de dele e publiquei, tem meia dúzia de desocupados que acham de me criticar. Ora, faça-me o favor. 

Criticam também porque abri a APLAM para pessoas de outras cidades: aqui tem Acadêmico de Corumbá de Goiás e de Palmeiras, além do José Joaquim do Nascimento que reside em Jaraguá. Parece até que ainda vivemos no isolamento do século XIX: nada pode mudar, não mexam nisso ou naquilo, é proibido. Já aviso de antemão que vêm novos membros aí, e vamos homenagear o Distrito de Lagolândia, numa valorização de quem produz arte fora da sede do Município.

Não me desanima as mensagens que recebo com comentários negativos e palavras pouco construtivas, pois quem assim age é pessoa despreparada e que não tem nada a acrescentar. Se tivesse, faria parte da APLAM.

E tenho dito!

Adriano Curado


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Adahyl Lourenço Dias

SÉRIE BIOGRAFIAS
ADAHYL LOURENÇO DIAS



Adahyl Lourenço Dias (n. Pirenópolis, 6.5.1911 – f. Anápolis, 7.5.2002) foi advogado, escritor, jurista, promotor público, delegado de polícia, vereador e prefeito de Anápolis

Filho do advogado José Lourenço Dias (1886 – 1939) e de Artemísia de Siqueira Dias. Sua mãe era filha do Major Silvino Odorico de Siqueira (1856 – 1935) e fazia, como todas suas irmãs, parte do Coro da Banda Euterpe, que cantava na Igreja Matriz de Pirenópolis. 

Seu pai foi cirurgião-dentista, advogado e político. Dele nos fala Jarbas Jayme: “José Lourenço Dias é, incontestavelmente, um dos mais competentes e acatados causídicos de Goiás, foi intendente municipal de nossa terra, eleito a 20.9.1919, e promotor público da comarca, nomeado interinamente, em 19.7.1915 e efetivado a  6.2.1916. Passou-se para Bonfim e daí para Anápolis, onde é dono do maior e mais bem organizado escritório do Estado, possuindo uma biblioteca extraordinária. Nessa grande tenda de trabalho militam com o experimentado causídico, três de seus filhos, bacharéis pela Faculdade de Direito de Goiás. Eleito suplente de Senador, tomou assento no Palácio Monroe, onde desfrutou da estima e do respeito de seus pares. Autodidata, fez-se por si, pois nunca experimentou estabelecimentos educacionais. Jornalista primoroso, fundou e dirigiu, em Anápolis, o apreciado semanário ‘Voz do Sul’.” (Famílias, pp. 50/1)

Eram irmãos de Adahyl: Napoleão, Pedro, Ewerton, Petrônio, Benedito, Wilson, Teresinha, Ami e Eunice.

Casarão onde nasceu e viveu na juventude a mãe de Adahyl
Adahyl transferiu-se com seus pais para a cidade de Bonfim (hoje Silvânia) em 1923, onde continuou os estudos, vindo depois a prestar exame de admissão no antigo Liceu de Goiás (1925) na Cidade de Goiás, à época Capital do Estado, aprovado em primeiro lugar.

Posteriormente, quando da transferência do Seminário de Santa Cruz da Diocese de Goiás, para Bonfim, nele passou a frequentar até a instalação do Ginásio Anchieta, criação e fundação do saudoso Dom Manoel Gomes de Oliveira.


Matriculou-se na antiga Escola de Direito de Goiás e posteriormente transferiu-se para a Faculdade de Direito de Goiás (1931), que reabria suas portas depois de um grande período de fechamento por questões políticas, bacharelando-se em 16/12/1933.

Exerceu a Procuradoria Fiscal da Prefeitura de Bonfim de 1927 a 1930, quando renunciou ao cargo para acompanhar o movimento político da Aliança Liberal, que dirigiu a Revolução de 1930 e levou ao Governo Federal Getúlio Vargas.

Em outubro de 1930 transferiu residência para Anápolis. Em 1932 exerceu o cargo de promotor público. Em 1933 foi nomeado membro do Conselho Consultivo da Prefeitura de Anápolis pelo Interventor Federal. Em 1933 foi nomeado Interventor Escolar do Estado de Goiás. Em 1935 foi eleito Vereador da Câmara Municipal de Anápolis. De 1934 a 1936 exerceu a Diretoria da Antiga Escola Normal de Anápolis (hoje Colégio Auxilium). Em 1937 exerceu o cargo de Delegado Auxiliar de Polícia da Secretaria de Segurança Pública.



Em 1938 foi nomeado Delegado Regional da Primeira Zona, cargo que recusou.

Exerceu o cargo de Delegado Florestal do Ministério da Agricultura.

Fundou e dirigiu o primeiro Ginásio de Anápolis, posteriormente transformado em Ginásio Arquidiocesano e atualmente Colégio São Francisco. Fundou e dirigiu a Conferência São Vicente de Paula, que instalou o primeiro asilo dos pobres da região. Fundou com outras pessoas o Clube Recreativo de Anápolis (CRA).

Fundou e dirigiu com seu pai o jornal “Voz do Sul”, que circulou de 1930 a 1939, com o objetivo de defender a mudança da Capital do Estado para Goiânia. 

Fundou e dirigiu a Escola de Instituição Militar em Anápolis, chamada “Tiro de Guerra”.

Em 1947 exerceu o cargo de prefeito de Anápolis. Posteriormente foi outra vez eleito Vereador de Anápolis, presidindo a Câmara Municipal, sendo reeleito em nova eleição.

Advogado militante, nunca deixou sua profissão. Foi consultor jurídico da Associação Comercial de Anápolis; advogado credenciado do antigo Sindicato dos Trabalhadores de Teatro de São Paulo, no quadro de Assistência Judiciária. Exerceu o cargo de Delegado da Ordem dos Advogados em Anápolis (1939).

ENTIDADES A QUE PERTENCEU:
Membro da Associação de Imprensa de Goiás e a Associação Brasileira de Imprensa. Conselheiro da Ordem dos Advogados em Goiás. Membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Membro da Academia Nacional de Direito do Trabalho. Membro da Academia Internacional de Jurisprudência e Direito Comparado. Membro do Instituto Luso-Brasileiro de Direito. Membro efetivo do Instituto dos Advogados do DF. Membro da Academia Anapolina de Letras e Artes.

Advogado José Lourenço Dias, pai de Adahyl

TÍTULOS QUE RECEBEU:
Comendador pela Ordem Gomes de Souza Ramos. Título de Benemérito do Lions Clube de Pirenópolis. Título de Honra ao Mérito do Rotary Club de Anápolis Região Leste, pela Sociedade Cristã Ortodoxa Beneficente de Anápolis. Diploma de Mérito pela União dos Escoteiros do Brasil. Titular Acadêmico do Centro Cultural, Literário e Acadêmico de Felgueiras, Portugal. Diploma expedido pela Ordem dos Advogados do Brasil, em reconhecimento pelos serviços prestados ao Direito e à Justiça no 50º ano de exercício da advocacia (1983). Diploma de Colaborador da 1ª Semana Nacional Mudancista da Universidade de São Paulo, pelos Centro Acadêmicos: XI de Agosto e XI de Maio (1957). Medalha Santo Ivo Patrono do Advogado, conferida pela Fraterna Ordem de Cristo, pela conduta moral, social, profissional e cristã (1933).

Obras publicadas:
Habeas Corpus
Recurso de Habeas Corpus
Habeas Corpus originário
Dos Avais Sucessivos e Simultâneos
Prescrição da Ação Penal
Salários da Concubina
Foro do Inventário
Do Risco Aéreo
Da Retroatividade da Lei Fiscal
Da Fraude à Execução
Fato Novo como Razão de Decidir
Do Pagamento de Custas
Dos Efeitos Jurídicos do Vale
Da Apelação em Concurso de Credores.
Dos Justos e Honorários de Advogado na Cobrança Cambial
A Concubina e o Direito Brasileiro, Editora Freitas Bastas, 1961.
O Desquite no Direito Brasileiro
Aparatas
A Boa Fé no Seguro de Vida em Grupo
A Prova na Investigação de Paternidade
Usucapião e Seus Elementos 
Eestudos em homenagem ao professor Washington de Barros Monteiro, Editora Saraiva, 1982
Venda a Descendentes, Editora Sugestões Literárias, 1971; José Konfino, 1976; Forense, 1985.
O Vale no Direito Brasileiro, Editora Revista dos Tribunais, 1974.


Adahyl na juventude - cortesia Natalina Fernandes
O grande destaque desse ilustre pirenopolino foi defender o direito da concubina (mulher que vive maritalmente com homem, sem estar com ele casada), numa época em que isso era um escândalo. Seus estudos foram a base para o reconhecimento da “companheira” no novo Código Civil, onde está equiparada à esposa.

Faleceu em 7 de maio de 2002, ao completar 91 anos de idade.

Uma Escola Municipal no Bairro Santos Dumont, na cidade de Anápolis, leva seu nome. Em Pirenópolis infelizmente é desconhecido. 

Foi Membro Efetivo Fundador da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), Cadeira VIII Patrono: Luiz Gonzaga Jayme. Posteriormente, impedido pela idade avançada de se fazer presente às reuniões e diante da importância de sua pessoa, passou a ser Membro Honorário da Academia, Cadeira XLI Patrono: Antônio Fleury de Souza Lobo, o único a receber tal distinção até o momento. É patrono da Academia Anapolina de Letras (ANALE).

Fonte:
JAYME, Jarbas. Famílias pirenopolinas – Vol. V. Goiânia: UFG, 1973.

Site da Academia Brasileira de Direito do Trabalho – http://www.andt.org.br/
Site da Ordem dos Advogados de Brasil, Seção Goiás – http://www.oabgo.org.br/oab/home/
Site da Prefeitura Anápolis – http://anapolis.go.gov.br/portal/

Arquivo da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música.
Arquivo da Academia Anapolina de Letras (ANALE).

Reunião para fundação da APLAM. Adahyl é o segundo da esquerda p/ direita.
Legenda da última foto, que foi tirada em 1994, na sede da AABB de Pirenópolis, na Rua Aurora: da esquerda para a direita: Pérsio Ribeiro Forzani, Adhayl Lourenço Dias, José Carlos Gentili, Victor Tannuri, Emílio Terraza, Luiz Armando Pompêo de Pina e João Luiz Pompêo de Pina.

Adriano Curado

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O bebê nas minas de Meia Ponte




Não era fácil a vida dos bebês nas minas de ouro no século XVIII. E as dificuldades começavam antes mesmo do nascimento. As grávidas não contavam com acompanhamento médico adequado, não tinham uma alimentação rica em nutrientes e geralmente trabalhavam bastante: carregavam peso, cozinhavam, passavam roupas com ferro à brasa, equilibravam potes cheios etc.

A exceção eram as sinhás, esposas dos ricos proprietários de escravos e donos das lavras. Mas essas eram poucas. Na sua maioria, as mulheres trabalhavam muito.


Depois de conhecerem a luz pelas mãos de uma parteira, os recém-nascidos ainda corriam o risco da rejeição, principalmente se provinham de alguma relação não oficializada pela Igreja. A roda dos expostos que existiam em algumas santas casas de misericórdia naqueles tempos é prova disso.

Se tudo fosse bem na gestação, no parto e no lar, o bebê podia ainda sofrer as doenças que assolavam as minas insalubres. O local era infestado por ratos, insetos e outros seres peçonhentos. Doenças como difteria, chagas e febre amarela eram comuns, agravadas pela falta de higiene do povo da época. A dengue ainda não se manifestara, embora o primeiro lote de aedes aegypti já zumbisse nos porões dos navios negreiros africanos. Quando os primeiros habitantes se instalaram aqui, as crianças menores dormiam em jaulas para escapar dos morcegos vampiros.


Tudo que foi escrito acima vale apenas se o recém-nascido fosse uma criança livre. Se nascesse escravo, seu destino era cruel. Separado da mãe antes do desmame, era vendido para mercadores de gente e nunca mais voltava ao lar.


Outro ponto contra os bebês era o constante deslocamento da população das minas, que vivia atrás de locais prósperos. Mal o ouro esgotava em um local e eles já partiam para outro mais promissor. E as viagens eram sofríveis. Estradas que não passavam de picadas, transporte em mulas ou carroções. Faltavam pontes e chovia demais.

Havia também as superstições, o medo de mandingas, as discutíveis tradições orais etc.

O modo de vida nas minas de ouro no século XVIII eram basicamente semelhantes em todos os lugares. A realidade vivida em Minas Gerais se aproximava à de Goiás, e portanto de Meia Ponte. Os estudos realizados, desta forma, aproveitam-se para todos os sítios.


Por tudo isso, eu concluo que a decisão de ter um filho em Meia Ponte à época da mineração se tornava uma aventura. Mas as famílias eram numerosas, o que compensava as perdas de vidas naqueles tempos difíceis. A altíssima taxa de mortalidade infantil constituía uma triste realidade.

Adriano Curado


Fonte:
ABREU, Jean. O corpo, a doença e a saúde: o saber médico luso-brasileiro no século XVIII.
2006. Tese (Doutorado) Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.
______. A colônia enferma e a saúde dos povos: a medicina das “luzes” e as informações sobre as enfermidades da América portuguesa. História, Ciências e Saúde, Manguinhos, v. 14, n. 3, jul./set. 2007.
ALMEIDA, Carla B. Medicina mestiça: saberes e práticas curativas nas minas setecentistas. São Paulo: Annablume, 2010.
BOXER, Charles. A idade do outro no Brasil. Dores de crescimento de uma sociedade colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

FURTADO, Júnia. Barbeiros, cirurgiões e médicos na Minas colonial. In: Revista do Arquivo Público Mineiro, ano XLI, jul./dez. 2005.